A cultura da

talha

O Vinho de Talha, património identitário, desempenha um papel central no quotidiano da Amareleja. Faz parte, não apenas da história e da herança da presença romana no território desde há mais de dois mil anos, mas parte integrante da cultura e vida social da população do Alentejo, em especial na tradição local da zona da Amareleja, Vidigueira, Cuba e Vila de Frades.
Território de pequenos produtores em pequenas parcelas, o vinho é aqui produzido um pouco por toda a gente (geralmente em família ), em potes (talhas), sobretudo para consumo próprio, convívio e troca de experiências, num espírito de saudável competição.

Ao longo dos tempos, a técnica de vinificação em potes de barro foi sendo passada de geração em geração,  não havendo, no entanto, uma única maneira de fazer vinho em talhas, variando ligeiramente consoante a tradição local. Isto confere ao vinho que daqui resulta (somado às diferentes técnicas de cada produtor, à variedade de castas e talhas utilizadas), uma riqueza e diversidade únicas.
No Dia de S. Martinho celebra-se a abertura das talhas e prova-se o vinho dos amigos e familiares.

Durante o resto do ano (enquanto o vinho de talha durar) permanece a tradição do “copinho”, onde todos os dias, antes das refeições, se vão bebendo os vinhos de talha pelas tabernas da Amareleja e nas casas dos amigos.

Os Nossos

Vinhos de Talha

São vinhos que falam de uma cultura ancestral da vinha e do vinho, vinificados em potes antigos de barro (talhas), adquiridos um pouco por toda a Amareleja, cada um com a sua história e particularidade adquirida ao longo dos anos de utilização.
Para este vinhos, utilizamos uvas provenientes de vinhas velhas (a maioria de pé-franco).

do processo...

Vindimadas à mão, desengaçadas e esmagadas. Depois dos potes cheios de uvas inicia-se o processo de fermentação, sem controlo de temperatura. Nesta fase, as massas são mexidas manualmente com um rodo de madeira, várias vezes ao dia, de modo a garantir a homegeneidade no processo fermentativo e a potenciar a extracção de cor, aromas e sabores. Terminada a fermentação, essas massas assentam no fundo.

...até à filtragem

Tradicionalmente, a prova dos tão aguardados vinhos (directamente do pote) faz-se no Dia de S.Martinho.
Normalmente, as massas permanecem nos potes até meados de Janeiro, altura em que o vinho passa por um moroso e delicado processo de filtragem, em que o vinho atravessa, primeiro, as massas em deposição no fundo da talha, passando posteriormente por um filtro artesanal, composto por uma cana preenchida com junça – planta ribeirinha com capacidades de filtragem – que trespassa o batoque de cortiça, correndo límpido e em fio, para o exterior.

É desta generosa partilha de saberes de gerações, com enorme dedicação, vagar e atenção ao detalhe, com que são feitos estes vinhos. Da mistura de castas presentes nas vinhas velhas resultam perfis complexos e intensos, a que a vinificação em talha acrescenta frescura e elegância nos taninos.